Capítulo 1
Em pleno sábado,
estava lá eu ás 05h30minh ordenhando. Eu estava no campo e era tudo muito lindo.
O Sol nascendo, a
vaca bem mansa... Até que, do nada, a vaca mugiu tão alto que estourou os meus
tímpanos. Eu corri e a vaca corria atrás de mim, parecia que a vaca tinha se transformado
em um touro. Corri... corri e a tal “vaca” atrás de mim, de repente, não a ouvi
mais. Virei para trás e ela vinha na minha direção e...
— ACORDA MARIANA, AULA! — gritou meu pai, já
saindo de casa.
Só poderia ser um sonho mesmo, isso mesmo, um sonho. A realidade seria um pesadelo: a vaca fugiria de mim.
Hoje é o primeiro dia de aula, onde aquelas menininhas novatas vão ficar perdidas, os meninos vão ficar se batendo igual a uns loucos. Onde as meninas antigas vão ficar se gabando que tem Iphones e Ipads. Eu não suporto 95% da escola, os outros 5% são alguns professores, a Eduarda, a enfermeira, os tios e tias da limpeza, o lindo do Frederico e o Benjamin, o meu melhor amigo.
Ainda deitada virei meu rosto e olhei para o relógio, eram 07h00min, Pisquei três vezes não acreditando naquele horário. Piscadas e mais piscadas e o que eu esperava aconteceu, o horário mudou, mas mudou para 07h01min. Pulei da cama e me joguei no Box, terminei meu banho, coloquei meu uniforme, joguei a mochila no ombro e corri para a escola.
Chegando lá – muito ofegante - deparei-me logo com mochilas de várias cores, novas e o cheiro de objetos novos reinava naquele corredor. Olhei para todas as mochilas, uma mais linda do que a outra, enquanto a minha é a do ano retrasado. Também, eu quero me comparar com meninas que trocam de celular com três dias de uso.
— Ronc, ronc... – reclamou minha barriga.
Droga! Esqueci do detalhe do café da manhã.
Sentei no banco mais próximo e logo avistei o lindo do Frederico parando para conversar com todo mundo, ele é tão simpático, tão fofo, tão...
— Mariana para de babar! — disse Benjamin me dando um soquinho no braço.
— Idiota! – disse batendo nele de volta.
O Frederico passou por nós e eu disse logo um “OOOI!”, para ele me responder um tchauzinho dado com a mão esquerda linda dele. “Awn *__* , gente, ele é tão atencioso, tão fofo, tão...”
— Ronc, ronc... – reclamou minha barriga novamente.
— Sua porca! – gritou Benjamin.
— É a minha barriga, seu idiota! – eu ri.
— Vamos para a cantina! – ele disse me empurrando.
Comi e comi, acho que fali o Ben.
— Mariana, cara de banana... — gritou Eduarda pulando em mim.
Eduarda, é de fato a minha melhor amiga desde 2003, e nunca tivemos brigas sérias, somente bobas e de palhaçadas.
Depois de todo aquele blá-blá-blá de primeiro dia de aula, uma novata me impressionou quando se descreveu na aula de português. As perguntas não existiam e você tinha que falar o que vinha à sua mente sem pensar, sem analisar e sem ter cuidados, ela levantou e disse:
— Oi, meu nome é Marcela Pires, tenho 14 anos, gosto de conversar, ouvir e liderar. Não gosto de matemática, muito menos de física, mas vou levando. Amo falar, criar novas amizades, e a cada dia estou em uma panelinha diferente. Para as revistas e televisões meu corpo é desproporcional, meu rosto é feio e sou atrasadinha. Não nasci para agradar ninguém, então quem gostar de mim se aproxima, quem não gostar se aproxima também. Tchau.
Ela sentou e minha cara ficou de tipo: “WOOOOOL, EU NECESSITO SER COMO ESSA MENINA!”. Logo mudei de ideia quando vi a Sofia cochichando com as suas amiguinhas da panelinha e rindo.
Sabe aquelas panelinhas que parecem ter uma placa piscando em cima escrito: “Não aceitamos novas inscrições” ¿ pois então, é a panelinha da Sofia Linkpark – pelo menos, é esse o nome que ela diz ter – essa garota é mais falsa do que os filmes inéditos da globo.
— Mariana, sua vez querida — disse a professora de português.
— Volta para a Terra, alienígena. — disse Leilane, uma das amiguinhas da Sofia.
Olhei para Leilane e ela me encarou fechei os olhos respirei fundo, tentei olhar para dentro de mim, não consegui, levantei.
Foi aí que a vergonha começou.
Eu dei um sorrisinho de lado e comecei:
— Meu no-nome é... Mariana e, e, é... Eu estou aqui há anos. — sentei e abaixei a cabeça.
Idiota, idiota, idiota, nem falar sabe, além de feia é burra. Ai, que raiva de mim! Com certeza fui bem clara que sou mesmo uma alienígena, sem roupas bonitas, antissocial, anti-garotos bonitos, anti-tudo, menos anti-verdade.
O sinal bateu. Finalmente! Peguei minhas coisas e desci vermelha mesmo.
Fiquei olhando o Frederico descer com os amigos dele. Suspirei. Ele é tão gracinha, tão perfeito, tão fofo...
— Ele é tão lindo! — disse Eduarda.
— Eu tô falando alto demais?
— Talvez...
— Sério?
— Não, os seus olhos
falam por você. — ela sorriu e sentou do
meu lado — Viu aquela menina? Marlena?
Milena? Marcela?Só poderia ser um sonho mesmo, isso mesmo, um sonho. A realidade seria um pesadelo: a vaca fugiria de mim.
Hoje é o primeiro dia de aula, onde aquelas menininhas novatas vão ficar perdidas, os meninos vão ficar se batendo igual a uns loucos. Onde as meninas antigas vão ficar se gabando que tem Iphones e Ipads. Eu não suporto 95% da escola, os outros 5% são alguns professores, a Eduarda, a enfermeira, os tios e tias da limpeza, o lindo do Frederico e o Benjamin, o meu melhor amigo.
Ainda deitada virei meu rosto e olhei para o relógio, eram 07h00min, Pisquei três vezes não acreditando naquele horário. Piscadas e mais piscadas e o que eu esperava aconteceu, o horário mudou, mas mudou para 07h01min. Pulei da cama e me joguei no Box, terminei meu banho, coloquei meu uniforme, joguei a mochila no ombro e corri para a escola.
Chegando lá – muito ofegante - deparei-me logo com mochilas de várias cores, novas e o cheiro de objetos novos reinava naquele corredor. Olhei para todas as mochilas, uma mais linda do que a outra, enquanto a minha é a do ano retrasado. Também, eu quero me comparar com meninas que trocam de celular com três dias de uso.
— Ronc, ronc... – reclamou minha barriga.
Droga! Esqueci do detalhe do café da manhã.
Sentei no banco mais próximo e logo avistei o lindo do Frederico parando para conversar com todo mundo, ele é tão simpático, tão fofo, tão...
— Mariana para de babar! — disse Benjamin me dando um soquinho no braço.
— Idiota! – disse batendo nele de volta.
O Frederico passou por nós e eu disse logo um “OOOI!”, para ele me responder um tchauzinho dado com a mão esquerda linda dele. “Awn *__* , gente, ele é tão atencioso, tão fofo, tão...”
— Ronc, ronc... – reclamou minha barriga novamente.
— Sua porca! – gritou Benjamin.
— É a minha barriga, seu idiota! – eu ri.
— Vamos para a cantina! – ele disse me empurrando.
Comi e comi, acho que fali o Ben.
— Mariana, cara de banana... — gritou Eduarda pulando em mim.
Eduarda, é de fato a minha melhor amiga desde 2003, e nunca tivemos brigas sérias, somente bobas e de palhaçadas.
Depois de todo aquele blá-blá-blá de primeiro dia de aula, uma novata me impressionou quando se descreveu na aula de português. As perguntas não existiam e você tinha que falar o que vinha à sua mente sem pensar, sem analisar e sem ter cuidados, ela levantou e disse:
— Oi, meu nome é Marcela Pires, tenho 14 anos, gosto de conversar, ouvir e liderar. Não gosto de matemática, muito menos de física, mas vou levando. Amo falar, criar novas amizades, e a cada dia estou em uma panelinha diferente. Para as revistas e televisões meu corpo é desproporcional, meu rosto é feio e sou atrasadinha. Não nasci para agradar ninguém, então quem gostar de mim se aproxima, quem não gostar se aproxima também. Tchau.
Ela sentou e minha cara ficou de tipo: “WOOOOOL, EU NECESSITO SER COMO ESSA MENINA!”. Logo mudei de ideia quando vi a Sofia cochichando com as suas amiguinhas da panelinha e rindo.
Sabe aquelas panelinhas que parecem ter uma placa piscando em cima escrito: “Não aceitamos novas inscrições” ¿ pois então, é a panelinha da Sofia Linkpark – pelo menos, é esse o nome que ela diz ter – essa garota é mais falsa do que os filmes inéditos da globo.
— Mariana, sua vez querida — disse a professora de português.
— Volta para a Terra, alienígena. — disse Leilane, uma das amiguinhas da Sofia.
Olhei para Leilane e ela me encarou fechei os olhos respirei fundo, tentei olhar para dentro de mim, não consegui, levantei.
Foi aí que a vergonha começou.
Eu dei um sorrisinho de lado e comecei:
— Meu no-nome é... Mariana e, e, é... Eu estou aqui há anos. — sentei e abaixei a cabeça.
Idiota, idiota, idiota, nem falar sabe, além de feia é burra. Ai, que raiva de mim! Com certeza fui bem clara que sou mesmo uma alienígena, sem roupas bonitas, antissocial, anti-garotos bonitos, anti-tudo, menos anti-verdade.
O sinal bateu. Finalmente! Peguei minhas coisas e desci vermelha mesmo.
Fiquei olhando o Frederico descer com os amigos dele. Suspirei. Ele é tão gracinha, tão perfeito, tão fofo...
— Ele é tão lindo! — disse Eduarda.
— Eu tô falando alto demais?
— Talvez...
— Sério?
— Sim, bem ousada àquela menina, não?
— Eu curti ela, olha ela ali! — apontou — Marlena! — gritou.
— Para de gritar. É Marcela!
E depois desse diálogo a menina com toda certeza entendeu que era dela que falávamos. Também, né? Eduarda fala igual a uma batata. Não, não fez sentido isso...
— E essa aqui é a Mariana — disse Eduarda me beliscando.
— Ai! Oi! — sorri de lado e voltei a ler meu livro.
Eu nem prestei atenção no assunto do livro, comecei a pensar naquele sonho. O que aquele sonho queria dizer? Eu não o entendi, não faz sentido, é muito complicado. Afinal, tudo em mim e tudo o que eu passo é complicado. Dã-ã, só queria dizer uma coisa: a vaca como a borboleta, pode passar por uma metamorfose e se transformar em touro. Vou pesquisar isso...
— Espera aí, porque caiu meus... meus...cílios — disse Eduarda se agachando para próximo de mim, com seu rosto abaixo do meu livro sussurrou:
— Pergunta alguma coisa caramba, não seja boba.
— Ah, sim claro, eu que deixei meus cílios caírem. — sussurrei de volta
Ela riu.
Levantamos, me aproximei da menina e pensei na pergunta mais óbvia: “Você é nova, né?”, mas meu cérebro estava pensando no sonho então minha boca obedeceu perguntando:
— Qual é a chance de uma vaca se transformar num touro?
“WHAAAAAAAT?”
— Ahn... Eu realmente não faço a mínima ideia. — respondeu Marcela com um semblante muito confuso.
Eduarda riu.
— Tchau gente, vou ouvir quais são as críticas ou elogios para o professor novo. — disse Eduarda saindo.
Olhei para a menina e percebi que ela iria falar algo, olhei e ela disse:
— Você é sempre quieta assim ou é antissocial mesmo?
Ela terminou aquela pergunta e aquilo foi até o lugar mais profundo do meu cérebro, voltou e me deu um soco no estômago,sugou todo o ar que estava lá, voltou pro cérebro e me fez lembrar de tudo o que eu tinha sofrido quando era criança. Aquele bullying me ataca até os dias de hoje.
Suspirei dizendo:
— Assim é a vida, cair seis vezes e se levantar sete. — respondi e logo peguei minhas coisas e subi.
No corredor chorei, chorei e chorei muito. Lembrei-me de tudo o que eu passei na infância pelo meu peso e pelo meu rosto, e, principalmente, depois dos meus oito anos de idade, quando perdi a minha mãe. Ah, a minha mãe era a pessoa mais linda do mundo. Senti a dor de querer abraçá-la e não poder. Me senti sozinha com vozes de muitas pessoas lá embaixo.
Ouvi uma voz muito próxima, era o Benjamin que se agachou:
— Nada. — disse chorando mais baixo ainda e enxugando as lágrimas.
Levantei a cabeça e sorri.
Não aguentei e meu nariz formigou e uma lágrima do olho esquerdo escorreu.

Muito bom o texto !Parabéns Rayane!
ResponderExcluirPARABÉNS! LINDO TEXTO! QUE DEUS CONTINUE TE ABENÇOANDO COM ESTE DOM! E TE DIGO MAIS,FAÇA DAS PEDRAS QUE JOGAM EM VOCÊ OS DEGRAUS DE UMA ESCADA QUE TE LEVARÁ AO SUCESSO.
ResponderExcluirta mt maneiroo curtir demais. parabéns
ResponderExcluir